30 de agosto de 2021

Uma coisa parece ser consenso: o mercado imobiliário, que sempre foi visto como um porto seguro dentro dos investimentos, deverá continuar cumprindo esse papel no período pós-pandemia. A visão foi compartilhada por diversos especialistas durante painel do evento Expert XP.

“Vivemos um momento muito conturbado em 2020 mas, da mesma forma que o mercado despencou, ele voltou muito rápido, o que mostra que é um mercado muito resiliente”, afirmou Pedro Carraz, gestor de real estate da XP Asset Management.

Segundo Carraz, mesmo que o mercado possa sofrer oscilações em momentos de desespero dos investidores, seus lastros e fundamentos fazem com que se recupere rapidamente. Eduardo Mufarej, conselheiro da JLP Asset Management, tem uma visão parecida: “Tivemos uma volatilidade descomunal, mas o mercado é muito lastreado, porque estamos falando de ativos de tijolo.”

Até mesmo os setores que mais sofreram durante a fase mais aguda da pandemia já vêm demonstrando melhora, como destaca Alexandre Alfer, sócio e gestor do segmento imobiliário da Capitânia: “Todo mundo questionou shoppings e lajes corporativas, mas já começamos a ver uma recuperação. Logística apresenta recorde de ocupação. E não existe muita barganha de preço de aluguel”. Tudo isso, na visão de Alfer, torna evidente que a situação começou a melhorar e que os ativos não perderam muito.

Além disso, o momento de disparada na inflação também ressalta a importância do investimento em imóveis. “Nada melhor do que o imóvel para ser um hedge natural contra a inflação. Os imóveis têm por natureza inquilinos que pagam aluguel todo mês, e esse valor é ajustado pela inflação”, explica Carraz.

Para Marcelo Fedak, CEO da BlueMacaw, a pandemia foi mais um baque em um cenário que já vinha sofrendo após a crise econômica de 2014 a 2017. Isso, no entanto, faz com que o mercado brasileiro esteja em uma base muito distante do que poderia estar - e abre oportunidades.

Além disso, a oferta relativamente baixa de imóveis no Brasil também deve ajudar o mercado. “Temos uma questão e oferta controlada e, na medida em que a demanda volta, esses mercados começam a performar melhor”, explica Fedak.

E, dentro do mercado imobiliário, os FIIs se destacam por sua liquidez, gestão profissional e diversificação.

“É praticamente impossível para o investidor individual olhar ativo por ativo. Os mercados americano, europeu e asiático têm muita profundidade, são 17 setores dentro de real estate, muitas companhias listadas … A melhor forma de se expor a isso é através de ativos líquidos, e focando muito em gente que tem gestão especializada e conhece cada um dos ativos”, argumenta Mufarej.

Fonte: https://br.investing.com/news/markets/o-que-esperar-para-o-mercado-imobiliario-no-pospandemia-segundo-especialistas-909687